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A eleição de outubro deste ano será crucial para a definição do rumo do país, seu desempenho econômico e social, assim como do papel que ocupará numa ordem mundial caracterizada pela interdependência crescente entre os países. Não é o momento de escolhas tímidas e conservadoras, nem da opção por candidatos/as e propostas que estão aquém das exigências da conjuntura. Num mundo em mudança acelerada, o custo da inércia, da acomodação intelectual, do refúgio nas fórmulas consagradas é pesado. Para avançar, é preciso mudar.

O PPS empenha-se agora na construção de um instrumento político capaz de levar a alternativa da mudança ao embate eleitoral. Daí ter apresentado sua contribuição para o elaborar de um programa comum de governo à Presidência da República. Nossa proposta ancora-se em nossa história e tem como norte uma sociedade que atenda padrões elevados de democracia, equidade e sustentabilidade.

Este objetivo converge para o consenso formado nos foros internacionais: desenvolvimento não é redutível a crescimento econômico, mas abriga como dimensões necessárias a ampliação da democracia, a redução das desigualdades e a diretriz da sustentabilidade. A história recente mostrou a um tempo a necessidade e a insuficiência dos mecanismos de mercado e do Estado para a regulação das relações econômicas e sociais. A lacuna que resta só pode ser ocupada pela cidadania organizada, pela transparência, pelo controle e participação do cidadão. Neste sentido, a qualidade da democracia hoje é condição do desenvolvimento e é preciso um ganho expressivo de qualidade para que a democracia brasileira tenha condições de responder à altura aos desafios do presente.

Na mesma perspectiva, está claro que desenvolvimento é tarefa complexa que exige o concurso das potencialidades de todos. Manter grande parte da população à margem da produção e do consumo, como faz ainda o Brasil, apesar dos ganhos obtidos, é um desperdício criminoso de trabalho e talento, que causa perdas a todos nós. Daí a urgência do avanço no rumo da equidade social. E, neste sentido, devemos trabalhar com o cruzamento da equidade geracional com a equidade intergeracional. É que garantir a equidade, dentro das gerações, não tem qualquer sentido, se não formos capazes de garanti-la às gerações futuras, que têm o mesmo direito aos serviços ecossistêmicos como as gerações atuais.

No tocante à sustentabilidade, nossa aposta é numa sociedade de transição – do insustentável para o sustentável, tendo em vista que é preciso um longo processo de transição. Uma das questões que são colocadas hoje pela realidade é como chegaremos à sociedade de transição e quais elementos são estruturantes para nos levar a ela, já que não acreditamos que o sustentável virá por gravidade. Este é um ato intencional e de vontade.

Sustentabilidade, por sua vez, não mais pode ser vista como um acréscimo politicamente correto ao sistema anterior de produção. O fim da economia baseada no carbono é fato e o desenvolvimento seguirá a trilha aberta pela mudança da matriz energética. O Brasil, apesar das enormes vantagens comparativas de que goza neste campo, está atrasado na formulação e implementação desta mudança.

Democracia, equidade e sustentabilidade são os eixos da sociedade que emerge – a sociedade do conhecimento.

O atendimento às demandas simultâneas destes eixos impõe educação, ciência, tecnologia e inovação como tarefas centrais na agenda da política. Nosso desempenho no que se refere à ciência e tecnologia ainda está aquém do necessário, particularmente em relação à tecnologia e inovação. Mas o desempenho do Brasil em educação, na formação do cidadão e do trabalhador da sociedade do conhecimento, é calamitoso, conforme as comparações internacionais disponíveis.

Num mundo de interdependência crescente, as relações internacionais, políticas, comerciais e culturais assumem importância inédita. Ganham destaque, em especial, os processos de integração regional e a construção e o aperfeiçoamento dos organismos responsáveis pela governança mundial.

Ambas as dimensões merecem atuação mais incisiva por parte do Brasil. Afinal, é cada vez maior o número de decisões vitais para os interesses brasileiros, positivas e negativas, tomadas ou postergadas nesses organismos.